Bulimia literaria

Sempre termina assim...

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Terça-feira, 23 de Junho de 2009

Por três vezes eu vi, como três sóis no céu:
Uma serpente grande como o mundo
teve um filho belo como um deus
e o comeu.

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Domingo, 21 de Junho de 2009

A rosa que desabrocha serena
entre os eclipses rotos de promessas sentidas,
um parco minuto, entre a vida e a morte,
e depois
nem uma coisa nem outra,
essa sensação só...
isso.

Modernidade miguxa

Quinta-feira, 11 de Junho de 2009

esCorRE UxXx "sexXx"
KuM sigNiFIcaDuxXx
Em SigniFiCadUxXx
Di siGnIfIcadEenhu......

Caminho

Domingo, 3 de Maio de 2009

Ela nem corria mais
porque
as lágrimas nas pontas dos dedos
sabiam
que antes da visão do inevitável,
o vislumbre do inverossímil.

De lírios

Terça-feira, 14 de Abril de 2009

A flor clandestina que brota na pele de amantes de botecos de esquina
Em suores que pulsam ritmados
pululando pus de vazios insaciáveis
Em abismos que soluçam em luz de todas as cores.

E doçura em violência escorre
como caldo cromado
pelas pontas das estrelas.
São nossos delírios... dependentes químicos fictícios .

Ruínas

Terça-feira, 24 de Fevereiro de 2009

Ruído delgado de chumbo
roído de vento que espraia...
Ah, não, meu Deus, são sonhos!,
moídos, moídos e mais nada.

E os dedos denunciadores escondidos
Por detrás de enunciados escorregadios.
cortinas ilusórias e vadias
pano lodoso refletindo inútil um dia...

Ah, possibilidade latente da metafísica
Deus com o meu vestido franjado de infinito
Deus com minha coroa de estrelas inequívocas
Caminho de rosas vermelhas... e frias.

Enquanto em música desesperada, essa chuva de horas
cai torrencialmente no meu telhado!
Então caia, caia até que não haja mais nada pra cair
Até que não haja sol pra sair , até que saia a cor do céu... até que... até...

Porque a cruz é grande
Ainda que a sombra seja pequena pequena...
Arre, só me deixa em paz com meus tormentos amadores
paredes companhias da minha casa dissabores .

Unicentro krra 10 y 15

Domingo, 11 de Janeiro de 2009

Que à primeira vista fez meu tédio escorrer arranhando meus olhos. Não tinha sequer a companhia macia do sossego velando minhas confusões a caminho do trabalho. Subiu arrastando as pernas batidas deixando um rastro de pó sinuoso na passarela. As mãos vazias verdes violentados. Era cantor de boleros, e sua voz entrou quebrada aos meus ouvidos, o que me fez um ponto de interrogação cubista no semblante. Mas antes que eu pudesse desfazer-me, ele se desnudou em nossa frente, espectro inevitável da angústia, morta viva que se recusava a morrer. Sua voz eram raízes escuras que jamais chegariam à superfície, à luz de plástico e espuma, e, coicidentemente, nesse momento rodeávamos uma praça de árvores vermelhas artificiais. Era um filme rodado pelo absurdo. Ele pedia o beijo de uma niña, como quem pedia o beijo ardente da morte fria para fazer parte de algo, mesmo que o algo seja o não seja. Cantava lágrimas pesadas de tristeza, turvas dos machucados da vida, mãe e inimiga, se equilibrando ridiculamente naquele onibus como vinha fazendo todo o tempo, com medo de cair no inferno. Quase lhe contei que não havia mais como cair, mas que sei eu que desci logo depois, que o larguei quando me suplicava a mão, que o deixei sob um olhar estúpido de agradecimento, quando já implorava que parasse de jogar a vida descarnada diante dos meus olhos...

Ah... a mentira...
 
©2007 '' Por Elke di Barros